Cruzeiro do Sul, Farinha de mandioca

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Delimitação da área geográfica:

A área geográfica delimitada para a indicação de procedência "Cruzeiro do Sul" é coincidente com a área da regional Juruá, estando localizada na região oeste do Estado do Acre, abrangendo os municípios de Mâncio Lima, Rodrigues Alves, Cruzeiro do Sul, Porto Walter e Marechal Thaumaturgo.

Especificações e características:

A farinha de mandioca produzida em CRUZEIRO DO SUL é processada artesanalmente em pequenas casas de farinha utilizando matéria-prima e mão de obra, provenientes da agricultura familiar. Nessas agroindústrias, na maioria das vezes concentradas no local de produção da matériaprima, cada produtor segue um processo próprio de fabricação da farinha. No que diz respeito às matérias-primas para produção de farinha, muitas etnovariedades de mandioca, conhecidas por diversos nomes, são utilizadas pelos produtores regionais, sendo as mais comuns a mulatinha, curimêm (roxa, preta ou branca), caboquinha, chico anjo, mansa e brava, rasgadinha/amarelinha, santa maria, branquinha, ligeirinha, fortaleza, milagrosa, dentre outras. A farinha produzida em CRUZEIRO DO SUL possui um sabor diferenciado, levemente adocicado, uma textura granulada e é produzida a partir de uma técnica tradicional que envolve descascamento, lavagem, trituração, prensagem, peneiração, escaldamento, tostagem, resfriamento e embalagem. O regulamento de uso orienta que, preferencialmente, não se deve produzir farinha com a cultivar local “amarelinha/rasgadinha”, dando-se prioridade para as cultivares locais branquinha, caboquinha, mansa e brava, cumaru, curimên, chico anjo e mulatinha.

Nome da Indicação Geográfica:

Cruzeiro do Sul

Produto:

Farinha de mandioca

Data de concessão do registro:

22/08/2017

Data da última alteração de registro deferida:

19/08/2025

Relação com área geográfica:

A mandioca é originária da região amazônica, sendo cultivada na América Tropical há mais de 5000 anos. Já a produção de farinha foi introduzida na região por famílias de imigrantes nordestinos, no início do século XX. Tem-se registro da criação da Associação Agrícola do Juruá, que reuniu produtores rurais, como os que produziam farinha de mandioca em Cruzeiro do Sul. A migração para o Acre foi marcada por pessoas que atuaram como seringueiros, aproveitando do ciclo da borracha. Com a queda do preço da borracha e visando preservar as terras, foram desenvolvidas e consolidadas outras culturas na região, como a da farinha de mandioca. O cultivo da mandioca e a produção de farinha se destacam na região anteriormente compreendida pelo município de Cruzeiro do Sul e que atualmente comporta o território da cidadania do Vale do Juruá, composto pelos municípios de Cruzeiro do Sul, Mâncio Lima, Rodrigues Alves, Marechal Thaumaturgo e Porto Walter. Nessa região, a produção de farinha compreende uma tradição sem, contudo, mostrar muitos avanços tecnológicos. Embora toda farinha crocante produzida na região seja chamada de cruzeiro do sul, o nome refere-se ao antigo município de Cruzeiro do Sul, onde, no início do século XX, produzia-se grande quantidade da farinha considerada a melhor entre os demais locais produtores. Ao longo dos anos a tradição foi passada de pais para filhos e os produtores de farinha passaram a adotar o nome “CRUZEIRO DO SUL”, referindo-se à farinha de boa qualidade, crocante, de granulometria uniforme, bem torrada e de sabor inconfundível. A farinha produzida apresenta características especiais, em função de fatores como solo, clima, vegetação e saber-fazer. Além da característica cultural, a farinha também possui especificidades químicas e físicas como a quantidade de amido, a crocância e a granulometria. Suas características singulares lhe conferiram notoriedade e reputação frente aos consumidores e, há décadas, vem mantendo a reputação de farinha de qualidade.

Fonte

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